
Publicado em: 21/09/2023
Atualizado em:
Litígios de aluguel são conflitos entre locador e locatário envolvendo atraso no pagamento, caução, reparos no imóvel, rescisão contratual, cobrança indevida, vistoria, manutenção ou descumprimento do contrato.
Quando o conflito tem menor complexidade e valor compatível com a lei, pode ser possível buscar solução no Tribunal de Pequenas Causas, nome popular do Juizado Especial Cível.
Em casos envolvendo locação, esse caminho pode ser útil para cobrança de valores, devolução de caução, reparos simples, danos no imóvel e descumprimento contratual. A escolha da via correta depende do valor, das provas e do tipo de pedido.
Tribunal de Pequenas Causas e Juizado Especial são a mesma coisa?
Sim. Tribunal de Pequenas Causas é o nome popular usado para se referir ao Juizado Especial Cível.
A Lei nº 9.099/1995 prevê que o Juizado Especial Cível julga causas de menor complexidade, com valor de até 40 salários mínimos, observadas as regras legais.
Em litígios de aluguel, o Juizado pode ser útil quando a discussão é simples, documentada e não exige prova complexa. Ainda assim, nem todo conflito locatício deve seguir por esse caminho.
Quando litígios de aluguel podem ir ao Juizado Especial?
Litígios de aluguel podem ir ao Juizado Especial quando envolvem cobrança simples, devolução de valores, danos materiais comprováveis ou descumprimento contratual de menor complexidade.
Isso pode ocorrer em situações como aluguel atrasado, caução não devolvida, cobrança indevida de encargos, multa contratual, danos no imóvel ou reparos não realizados.
Por outro lado, casos que exigem perícia complexa, disputa possessória ampla, discussão sobre propriedade ou pedido de despejo fora das hipóteses admitidas podem exigir análise para verificar se a Justiça comum é mais adequada.
Quais conflitos de aluguel costumam gerar discussão?
O mesmo conflito pode ter caminhos diferentes conforme contrato, valor discutido, provas disponíveis e objetivo das partes.
Veja a tabela com a situação e pontos de atenção:
| Situação | Ponto de atenção |
| Aluguel atrasado | Valor devido, multa, juros, recibos e possibilidade de cobrança |
| Caução não devolvida | Comprovante de pagamento, vistoria e justificativa dos descontos |
| Reparos e danos no imóvel | Responsabilidade contratual, fotos, orçamento e laudos simples |
| Rescisão antecipada | Aviso prévio, multa proporcional e entrega das chaves |
Essa análise inicial ajuda a definir se o caso pode ser resolvido por acordo, notificação, ação no Juizado ou outra medida judicial.
Quais documentos reunir antes de entrar com a ação?
Antes de procurar o Juizado Especial, é importante organizar documentos que comprovem a relação de aluguel e o problema enfrentado.
Podem ajudar na análise:
- Contrato de locação;
- Comprovantes de pagamento ou depósito;
- Recibos, boletos e demonstrativos;
- Vistoria de entrada e saída;
- Fotos, vídeos e orçamentos;
- Conversas por mensagem ou e-mail;
- Notificações enviadas ou recebidas;
- Comprovantes de caução, condomínio, IPTU ou contas de consumo.
Quanto mais clara for a documentação, mais objetiva tende a ser a demonstração do problema. Para entender melhor a relação contratual, veja também o conteúdo sobre contrato de aluguel.
É preciso tentar acordo antes do Juizado?
Não é obrigatório resolver o conflito extrajudicialmente antes de entrar com a ação, mas tentar acordo pode ser útil em muitos casos.
Uma notificação, mensagem formal ou proposta documentada pode demonstrar boa-fé e ajudar a delimitar a controvérsia.
Em litígios de aluguel, acordos podem tratar de parcelamento da dívida, devolução parcial de caução, prazo para reparo, rescisão amigável ou entrega das chaves.
Como entrar com ação no Juizado Especial?
O primeiro passo é verificar o Juizado competente. Em geral, a competência pode considerar o domicílio do réu, o local onde a obrigação deve ser cumprida ou outras regras aplicáveis ao caso.
Depois, a parte deve apresentar os fatos, indicar o pedido, informar o valor da causa e anexar documentos. O pedido deve ser claro, com descrição objetiva do problema e do que se pretende obter.
Em causas de menor valor, a própria parte pode iniciar a ação sem advogado. No entanto, quando há contrato complexo, pedido mal calculado, discussão sobre despejo ou risco de recurso, a orientação jurídica pode evitar erros na formulação.
O advogado é obrigatório no Tribunal de Pequenas Causas?
No Juizado Especial Cível, a presença de advogado não é obrigatória em causas de até 20 salários mínimos. Acima desse valor, a assistência de advogado é obrigatória.
Além disso, se houver recurso contra a sentença, a atuação de advogado também será necessária.
Por isso, mesmo quando a lei permite que a parte atue sozinha, é recomendável avaliar a complexidade do caso, os documentos disponíveis, os riscos envolvidos e a necessidade de uma estratégia jurídica mais estruturada.
O que acontece na audiência de conciliação?
A audiência de conciliação busca aproximar locador e locatário para tentar um acordo antes do julgamento.
Se houver acordo, ele é registrado no processo e passa a ter força de decisão judicial. Pode envolver pagamento, devolução de valores, reparos, entrega de chaves ou encerramento da locação.
Se não houver acordo, o processo segue para análise das provas e julgamento. Nessa fase, é importante que a parte consiga explicar os fatos com clareza e apresentar documentos organizados.
O que acontece se uma das partes faltar à audiência?
A ausência à audiência pode gerar consequências relevantes. Se o autor faltar sem justificativa, o processo pode ser extinto.
Se o réu não comparecer, pode ocorrer revelia, situação em que os fatos narrados pela parte autora podem ser presumidos verdadeiros, conforme a análise do juiz.
Por isso, locador e locatário devem acompanhar intimações, datas, horários e documentos solicitados pelo Juizado.
O Juizado Especial serve para ação de despejo?
Nem toda ação de despejo pode tramitar no Juizado Especial. A Lei nº 9.099/1995 menciona a ação de despejo para uso próprio entre as hipóteses de competência do Juizado.
Outras situações de despejo podem exigir análise específica e, em muitos casos, tramitar na Justiça comum, especialmente quando envolvem falta de pagamento, maior complexidade ou pedidos incompatíveis com o procedimento.
Como o despejo envolve posse, contrato e permanência no imóvel, é importante verificar o tipo de pedido antes de escolher o caminho processual. Para aprofundar o tema, veja o conteúdo sobre ação de despejo.
Quais cuidados locador e locatário devem ter?
Locador e locatário devem guardar todos os documentos da relação de aluguel, especialmente contrato, comprovantes, vistorias, mensagens, recibos e notificações.
Também é importante evitar acordos apenas verbais em situações sensíveis. Quando há atraso, dano, rescisão ou retenção de caução, o ideal é documentar a comunicação entre as partes.
A Lei do Inquilinato regula locações urbanas e deve ser considerada na análise de direitos e deveres. Veja também o conteúdo sobre direitos e deveres dos locadores.
Quando procurar orientação jurídica?
A orientação jurídica pode ser importante quando há dúvida sobre competência do Juizado, valor da causa, prova documental, cobrança de aluguel, devolução de caução, reparos, multa contratual, despejo ou recurso.
Também pode ser necessária quando a outra parte apresenta documentos conflitantes, quando há risco de perda financeira ou quando o contrato possui cláusulas difíceis de interpretar.
Em demandas de Direito Imobiliário, a análise prévia ajuda a definir se o caso deve ir ao Juizado Especial, à Justiça comum ou se ainda é possível buscar composição extrajudicial.
Organização documental em litígio de aluguel
Em uma situação envolvendo litígio de aluguel, as partes discutiam devolução de caução, reparos no imóvel e descontos aplicados após a entrega das chaves.
A análise feita por um advogado especialista começou pela conferência do contrato, vistoria de entrada, vistoria de saída, comprovantes de pagamento, fotos do imóvel e mensagens trocadas durante a locação.
Com os documentos organizados, foi possível identificar quais pontos tinham prova suficiente e quais pedidos exigiam cautela. O caso mostra que a preparação documental é decisiva para definir o caminho adequado.
Perguntas frequentes sobre litígios de aluguel
Tribunal de Pequenas Causas é o mesmo que Juizado Especial?
Sim. Tribunal de Pequenas Causas é o nome popular do Juizado Especial Cível, usado para causas de menor complexidade.
Posso cobrar aluguel atrasado no Juizado Especial?
Pode ser possível, desde que o valor e a complexidade do caso se enquadrem nas regras do Juizado Especial.
Preciso de advogado no Juizado Especial?
Até 20 salários mínimos, a ação pode ser proposta sem advogado. Em recurso ou causas acima desse limite, o advogado é necessário.
Posso pedir devolução da caução no Juizado?
Sim, desde que o caso seja de menor complexidade e haja documentos que comprovem o pagamento, a entrega do imóvel e a controvérsia.
Litígio de aluguel pode gerar indenização?
Pode, dependendo dos fatos, das provas e do prejuízo demonstrado. Nem todo aborrecimento gera indenização.
Como o escritório Galvão & Silva Advocacia pode ajudar em litígios de aluguel?
Litígios de aluguel exigem análise do contrato, documentos, valores, vistoria, comunicações, provas disponíveis e via processual adequada.
O escritório Galvão & Silva Advocacia atua em locação, cobrança de aluguéis, caução, contratos, despejo, reparos, rescisão contratual e conflitos entre locadores e locatários.
A orientação jurídica pode ajudar a avaliar se o caso deve seguir pelo Juizado Especial, pela Justiça comum ou por negociação extrajudicial. Para análise do caso, é possível falar com um advogado especialista.
Dr. Antônio Carlos Lourenço Faillace
Advogado e Cientista Político, sou formado pelo Centro Universitário de Brasília e pela Universidade de Brasília, respectivamente. Inscrito na OAB/DF sob o número 29.903. Possuo mais de 16 anos de atuação em Direito Civil, com grande experiência em Direito do Consumidor, Direito Imobiliário, e Direito Internacional. Também sou fluente em Inglês e Espanhol, além do […]
Dr. Daniel Ângelo Luiz da Silva
Sou advogado, sócio fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Processus e inscrito na OAB/DF nº 54.608. Atuo há mais de uma década em Direito Civil, Empresarial, Inventário, Homologação de Sentença Estrangeira e em litígios complexos envolvendo disputas patrimoniais. Além da advocacia, sou professor, escritor e palestrante, fluente em inglês e espanhol. […]












