
Publicado em: 31/10/2023
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A remoção de inventariante é a medida judicial que afasta a pessoa responsável pelo espólio quando ela descumpre seus deveres, atrasa o procedimento ou coloca os bens deixados pelo falecido em risco.
O inventariante exerce uma função essencial no processo de inventário, pois representa o espólio, organiza informações, conserva os bens e auxilia na preparação da partilha.
Quando sua atuação se torna incompatível com essas obrigações, o juiz pode determinar a substituição. A medida pode ocorrer de ofício ou mediante pedido de pessoa interessada, sempre com respeito ao direito de defesa.
Qual é o papel do inventariante?
O inventariante é nomeado pelo juiz para representar o espólio e administrar os bens durante o inventário. Sua escolha segue a ordem legal de preferência prevista no artigo 617 do Código de Processo Civil.
Após a nomeação, ele deve assumir o compromisso de desempenhar a função com cuidado. Também precisa colaborar para que o inventário e a partilha ocorram de forma regular.
Entre as principais responsabilidades do inventariante estão:
- Representar o espólio judicialmente e fora do processo;
- Administrar e conservar os bens inventariados;
- Apresentar as primeiras e as últimas declarações;
- Exibir documentos relacionados ao patrimônio;
- Prestar contas de sua administração;
- Informar bens, dívidas, direitos e obrigações;
- Adotar medidas para preservar os interesses do espólio.
Alguns atos dependem da concordância dos interessados e de autorização judicial. Isso pode ocorrer na venda de bens, celebração de acordos, pagamento de dívidas e contratação de despesas para conservar o patrimônio.
O cumprimento dessas atribuições permite que o juiz, os herdeiros e os demais interessados acompanhem a administração dos bens até a conclusão da sucessão.
Como funciona a remoção de inventariante?
A remoção ocorre por meio de um incidente vinculado ao processo principal. Seu objetivo é verificar se o inventariante descumpriu deveres legais e se deve permanecer responsável pelo espólio.
O juiz não deve afastá-lo apenas por causa de desentendimentos familiares. É necessário demonstrar uma conduta concreta que prejudique o inventário ou coloque em risco os bens e direitos envolvidos.
Os artigos 622 a 625 do Código de Processo Civil disciplinam as causas, a defesa, a decisão e os efeitos da remoção.
O incidente tramita em apenso aos autos do inventário. Isso significa que o pedido é analisado separadamente, mas permanece relacionado ao processo sucessório principal.
Quais situações podem justificar a remoção?
O artigo 622 do Código de Processo Civil apresenta as principais situações que permitem o afastamento do inventariante.
A remoção pode ocorrer quando ele:
- Não apresenta as primeiras ou últimas declarações no prazo;
- Deixa de dar andamento regular ao inventário;
- Levanta dúvidas sem fundamento para atrasar o processo;
- Pratica atos meramente protelatórios;
- Permite a deterioração ou perda de bens;
- Deixa de defender o espólio em processos;
- Não cobra valores devidos ao patrimônio;
- Deixa perecer direitos do espólio;
- Não presta contas de sua administração;
- Apresenta contas consideradas inadequadas;
- Sonega, oculta ou desvia bens.
A presença de uma dessas situações não gera a remoção de forma automática. O juiz deverá analisar os fatos, as provas apresentadas e a defesa do inventariante.
Também é necessário avaliar se houve justificativa para a conduta. Um atraso pontual pode decorrer de dificuldade documental, enquanto omissões repetidas podem indicar falta de administração adequada.
A discordância entre os herdeiros permite a remoção?
Conflitos entre familiares são frequentes em inventários. Entretanto, a mera oposição dos herdeiros não basta para retirar o inventariante do cargo.
A quebra de confiança pode ser relevante quando acompanhada de fatos objetivos. É necessário demonstrar falta de transparência, omissão, desvio, atraso injustificado ou outra conduta prejudicial.
Questões sobre divisão de bens, testamentos e administração patrimonial também podem gerar conflitos relacionados à herança. Cada controvérsia deve ser examinada conforme seus documentos.
O pedido deve concentrar-se nos deveres do inventariante, e não apenas em divergências pessoais. Essa distinção evita que o incidente seja usado como instrumento de disputa familiar.
Quem pode pedir a remoção do inventariante?
A remoção pode ser determinada pelo próprio juiz quando as irregularidades aparecem no processo. Também pode ser requerida por quem demonstre interesse jurídico no inventário.
O pedido pode partir de herdeiros, legatários, cônjuge ou companheiro sobrevivente, credores habilitados e outros interessados afetados pela administração do espólio.
A legitimidade será analisada de acordo com a relação entre o requerente e o patrimônio inventariado. Não basta apresentar uma insatisfação sem conexão jurídica com o processo.
O interessado deve expor os fatos, indicar os deveres descumpridos e apresentar os elementos disponíveis. Quanto mais objetiva for a demonstração, mais clara será a controvérsia para o juiz.
Quais são as etapas do incidente de remoção?
O pedido deve ser apresentado ao juízo responsável pelo inventário. A petição precisa indicar os fatos, a fundamentação legal e as provas que sustentam a solicitação.
De forma geral, o incidente segue estas etapas:
- Apresentação do pedido de remoção;
- Autuação do incidente em apenso;
- Intimação do inventariante;
- Apresentação de defesa e provas;
- Análise dos documentos pelo juiz;
- Produção de outras provas, quando necessária;
- Decisão sobre a manutenção ou remoção;
- Nomeação de novo responsável, se houver afastamento.
O inventariante possui prazo de 15 dias para apresentar defesa e produzir provas. O prazo começa a ser contado conforme as regras processuais aplicáveis à intimação.
A realização de audiência não é obrigatória em todos os casos. O juiz poderá designá-la quando houver necessidade de ouvir testemunhas, esclarecer fatos ou produzir prova oral. Depois da defesa, o magistrado pode decidir com base nos documentos existentes ou determinar outras providências antes de concluir a análise.
Quais provas podem fundamentar o pedido?
As provas devem mostrar de que maneira o inventariante descumpriu suas obrigações. Alegações genéricas ou baseadas somente em conflitos pessoais podem não justificar a medida.
Podem ser utilizados:
- Extratos bancários; matrículas de imóveis; contratos; comprovantes de despesas; recibos; notificações; mensagens; fotografias; laudos; declarações fiscais; prestações de contas; decisões proferidas no inventário.
A análise também pode envolver os documentos necessários para fazer o inventário, especialmente quando a irregularidade está ligada à ocultação de informações ou bens.
Além de comprovar a conduta, é importante demonstrar sua consequência. A prova pode indicar atraso, perda de valor, deterioração, falta de pagamento ou dificuldade para concluir a partilha.
O que acontece depois da remoção?
Se acolher o pedido, o juiz deverá nomear outro inventariante. A escolha observará a ordem legal de preferência, considerando também as particularidades do processo.
O inventariante removido deverá entregar imediatamente ao substituto os bens, documentos, chaves, extratos e demais informações necessárias à continuidade da administração.
Quando houver recusa, o juiz poderá adotar medidas para assegurar a entrega. Bens móveis podem ser objeto de busca e apreensão, enquanto imóveis podem exigir imissão na posse.
O Código de Processo Civil também permite a aplicação de multa de até 3% do valor dos bens inventariados quando o removido deixa de cumprir a ordem de entrega.
A remoção não elimina a obrigação de prestar contas. O antigo inventariante continua responsável por explicar os atos praticados durante o período em que administrou o espólio.
Remoção e substituição são a mesma medida?
A substituição é uma expressão ampla para a troca do inventariante. Ela pode ocorrer por remoção, falecimento, incapacidade, renúncia aceita pelo juiz ou outra impossibilidade de continuar na função.
A remoção está ligada à conduta do inventariante. Ela pressupõe a análise de um possível descumprimento de dever ou de uma administração prejudicial ao espólio.
Nem toda substituição significa que houve irregularidade. Uma pessoa pode deixar o cargo por motivos pessoais ou por não possuir condições de continuar exercendo a função.
Essa diferença influencia o procedimento e a fundamentação da decisão. Na remoção, o inventariante deve ter oportunidade para responder às acusações apresentadas.
Quando termina a responsabilidade do inventariante?
A função pode terminar com a conclusão do inventário ou antes dela. Isso ocorre quando há remoção, substituição, renúncia aceita pelo juiz ou outra causa que impeça sua continuidade.
O afastamento do cargo não apaga os atos realizados durante a administração. O antigo inventariante pode ser chamado a apresentar documentos, esclarecer movimentações e prestar contas.
Quando houver indícios de prejuízo, ocultação ou desvio, outras medidas podem ser analisadas. A remoção resolve a permanência no cargo, mas não encerra automaticamente possíveis responsabilidades.
O novo inventariante deverá receber as informações necessárias e dar continuidade ao procedimento, preservando os bens até a partilha.
Perguntas frequentes sobre remoção de inventariante
A maioria dos herdeiros pode remover o inventariante?
Os herdeiros podem apresentar o pedido, mas não decidem diretamente pelo afastamento. Cabe ao juiz verificar se há fundamento legal e provas suficientes.
O inventariante pode ser removido sem apresentar defesa?
O inventariante deve ser intimado para apresentar defesa e provas em 15 dias. Após o prazo, o juiz poderá decidir mesmo que não haja manifestação.
A falta de prestação de contas permite a remoção?
Sim. Não prestar contas ou apresentar contas consideradas inadequadas pode justificar o afastamento, conforme o artigo 622 do Código de Processo Civil.
O pedido de remoção encerra o inventário?
Não. O incidente busca definir quem continuará administrando o espólio. Após a decisão, o inventário prossegue sob responsabilidade do inventariante mantido ou substituto.
O inventariante removido ainda pode responder por prejuízos?
Sim. Ele pode ter de prestar contas, devolver bens e esclarecer sua administração. Outras responsabilidades dependerão das provas e das circunstâncias do caso.
Como os advogados especialistas do escritório Galvão & Silva Advocacia podem ajudar?
O pedido de remoção exige análise dos autos, identificação dos deveres descumpridos e organização das provas. Uma medida sem fundamento suficiente pode ampliar os conflitos e atrasar a sucessão.
A defesa do inventariante também requer atenção. O advogado de inventário pode avaliar o processo, orientar os interessados e definir a medida compatível com as particularidades da administração do espólio.
Entre em contato com especialistas, o escritório Galvão & Silva Advocacia atua na análise de inventários e conflitos sucessórios, com atenção à proteção do patrimônio, ao direito de defesa e à continuidade regular do processo.
Dr. Daniel Ângelo Luiz da Silva
Sou advogado, sócio fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Processus e inscrito na OAB/DF nº 54.608. Atuo há mais de uma década em Direito Civil, Empresarial, Inventário, Homologação de Sentença Estrangeira e em litígios complexos envolvendo disputas patrimoniais. Além da advocacia, sou professor, escritor e palestrante, fluente em inglês e espanhol. […]
Dr. Caio de Souza Galvão
Sou advogado, sócio-fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduado em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes. Iniciei minha trajetória no TJDFT, atuando no 1º Juizado Cível, Criminal e de Violência Doméstica, além de exercer funções como conciliador. Passei pelo TST, TCU e Procuradoria-Geral do Banco Central, onde […]












