
Publicado em: 04/05/2021
Atualizado em:
Isenção de impostos de renda por contaminação por radiação é o direito de afastar a cobrança de Imposto de Renda sobre determinados rendimentos de aposentadoria, pensão, reserva ou reforma recebidos pela pessoa diagnosticada.
O reconhecimento depende da comprovação da condição médica e da natureza dos rendimentos tributados. Ter sofrido exposição à radiação, isoladamente, não significa que todas as fontes de renda ficarão isentas.
Por isso, a análise deve considerar os documentos médicos, a data do diagnóstico, o benefício recebido e os descontos realizados. Esses elementos também influenciam eventual pedido de restituição.
Quem tem direito à isenção por contaminação por radiação?
A contaminação por radiação está expressamente prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988 entre as condições que podem justificar a isenção do Imposto de Renda.

A doença pode ter sido identificada antes ou depois da aposentadoria. A legislação não exige que a contaminação tenha sido provocada pelo trabalho ou por acidente em serviço.
A Receita Federal também inclui expressamente a contaminação por radiação entre as doenças que permitem a isenção sobre rendimentos previdenciários.
Quais rendimentos ficam isentos?
A isenção alcança os rendimentos relacionados à aposentadoria, pensão, reserva ou reforma, inclusive o décimo terceiro salário correspondente.
Também podem ser abrangidos valores recebidos de previdência complementar, Fundo de Aposentadoria Programada Individual ou Programa Gerador de Benefício Livre, desde que tenham natureza de complementação da aposentadoria ou pensão.
Rendimentos de emprego, atividade autônoma, aluguel, participação empresarial e aplicações financeiras continuam sujeitos às regras normais de tributação. A isenção é vinculada à origem previdenciária da renda, e não a todo o patrimônio do contribuinte.
Para compreender essa limitação, consulte também o conteúdo sobre isenção de Imposto de Renda por doença grave.
A pessoa que ainda trabalha pode pedir a isenção?
A pessoa aposentada que permanece trabalhando pode ter isenção sobre a aposentadoria, mas continuará pagando Imposto de Renda sobre o salário ou os rendimentos obtidos com a atividade profissional.
Quem ainda não recebe aposentadoria, pensão, reserva ou reforma não pode utilizar essa hipótese legal para afastar o imposto incidente sobre remunerações do trabalho.
Assim, o diagnóstico por contaminação por radiação não transforma automaticamente todas as rendas em isentas. É necessário separar os valores previdenciários das demais receitas recebidas.
Quais documentos comprovam a contaminação por radiação?
A documentação médica deve permitir a identificação da doença e, sempre que possível, da data em que ela foi diagnosticada.
Podem ser apresentados:
- Laudo ou relatório médico;
- Exames laboratoriais e de imagem;
- Prontuários e relatórios hospitalares;
- Histórico de tratamento e acompanhamento;
- Documentos que indiquem a data provável do diagnóstico;
- Comprovantes da aposentadoria, pensão, reserva ou reforma;
O relatório médico deve ser legível, conter a identificação do paciente e do profissional, além de informações suficientes sobre a condição reconhecida.
Para pedidos administrativos, a fonte pagadora pode exigir laudo emitido por serviço médico oficial ou encaminhar o interessado para perícia.
Como solicitar a isenção administrativamente?
O requerimento deve ser apresentado à fonte responsável pelo pagamento da aposentadoria, pensão, reserva ou reforma.
Quando o benefício é pago pelo INSS, o pedido pode ser feito pelo serviço oficial Solicitar Isenção do Imposto de Renda. O interessado deve acessar o Meu INSS, pesquisar por “isenção” e anexar os documentos solicitados.
O procedimento normalmente envolve:
- Separação dos documentos pessoais e médicos;
- Identificação da fonte pagadora;
- Protocolo do requerimento;
- Realização de perícia, quando solicitada;
- Acompanhamento do pedido;
- Conferência dos pagamentos após a decisão.
Servidores aposentados, militares e beneficiários de regimes próprios devem consultar o órgão pagador, pois os canais e procedimentos podem ser diferentes.
Desde quando a isenção deve ser aplicada?
A data de início depende do momento em que a doença foi comprovada e da data em que o contribuinte passou a receber os rendimentos previdenciários.
Quando o diagnóstico ocorre depois da aposentadoria ou pensão, o Superior Tribunal de Justiça entende que o marco inicial pode ser a data em que a doença foi comprovada, e não necessariamente a data de emissão do laudo oficial.
Se a contaminação já existia antes da aposentadoria, a análise deve considerar quando os proventos começaram a ser recebidos, pois não havia rendimento previdenciário a ser isentado anteriormente.
A definição correta dessa data é importante tanto para interromper os descontos futuros quanto para calcular possíveis valores pagos indevidamente.
É possível recuperar o Imposto de Renda já descontado?
Sim. Quando o contribuinte comprova que preenchia os requisitos em período anterior ao reconhecimento administrativo, pode ser possível pedir a restituição dos valores cobrados indevidamente.
Em regra, a recuperação observa o prazo prescricional de cinco anos. O cálculo deve considerar a data do diagnóstico, o início da aposentadoria ou pensão e os descontos efetivamente realizados.
A restituição pode exigir a retificação das declarações de Imposto de Renda ou a apresentação de pedido administrativo. Em outros casos, a cobrança pode ser discutida judicialmente.
Informes de rendimentos, contracheques, declarações anteriores e comprovantes de retenção são necessários para reconstruir os valores. O conteúdo sobre aposentado ou pensionista com doença grave apresenta outras informações sobre o alcance do benefício.
O pedido pode ser negado?
O pedido pode ser indeferido quando a documentação não comprova claramente a contaminação, quando os rendimentos não possuem natureza previdenciária ou quando faltam informações sobre o diagnóstico.
Também podem ocorrer negativas baseadas em:
- Laudo médico genérico ou incompleto;
- Ausência de documentos sobre a aposentadoria ou pensão;
- Divergência entre a doença indicada e os exames apresentados;
- Pedido direcionado ao órgão incorreto;
- Tentativa de incluir rendimentos que não são abrangidos pela lei;
- Ausência de comprovação da data inicial da doença.
Antes de apresentar novo requerimento, é importante examinar a fundamentação da decisão. A solução pode envolver complementação de documentos, recurso administrativo ou discussão judicial.
Quando a via judicial pode ser necessária?
A via judicial pode ser avaliada quando há negativa administrativa, demora excessiva, divergência sobre a prova médica ou recusa em reconhecer a data correta do diagnóstico.
A ação precisa ser acompanhada de documentação médica e financeira organizada. Embora o laudo oficial possa ser dispensado judicialmente, a existência da doença deve ser suficientemente comprovada.
O ajuizamento não representa concessão automática. O resultado depende das provas, da origem dos rendimentos e das particularidades da situação analisada.
Perguntas frequentes sobre a isenção de imposto de renda por contaminação por radiação
A contaminação precisa ter ocorrido no trabalho?
Não. A Lei nº 7.713/1988 não exige que a contaminação por radiação tenha origem profissional ou decorra de acidente em serviço.
A isenção também vale para pensionistas?
Sim. Os rendimentos de pensão podem ser abrangidos quando o próprio beneficiário da pensão possui a condição prevista em lei.
A isenção elimina a obrigação de declarar o Imposto de Renda?
Não. A pessoa ainda pode ser obrigada a entregar a declaração, conforme seus rendimentos, bens e demais critérios estabelecidos pela Receita Federal.
O cônjuge também recebe a isenção?
Não automaticamente. O direito é individual e depende de o beneficiário preencher pessoalmente os requisitos médicos e financeiros.
Posso parar de pagar o imposto antes da decisão?
Não é recomendável interromper pagamentos ou alterar declarações sem o reconhecimento adequado e sem verificar o procedimento aplicável à fonte pagadora.
Como o escritório Galvão & Silva Advocacia pode ajudar?
O escritório Galvão & Silva Advocacia atua na análise de pedidos de isenção por contaminação por radiação, incluindo documentos médicos, informes de rendimentos e decisões administrativas.
A atuação pode envolver a identificação da data inicial do direito, a organização do pedido, a análise de valores descontados e a avaliação de medidas administrativas ou judiciais.
Diante de uma negativa, descontos mantidos ou dúvidas sobre a restituição, é importante procurar um advogado especialista para analisar o seu caso e verificar quais medidas são juridicamente adequadas.
Dr. Daniel Ângelo Luiz da Silva
Sou advogado, sócio fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Processus e inscrito na OAB/DF nº 54.608. Atuo há mais de uma década em Direito Civil, Empresarial, Tribunais Superiores, Homologação de Sentença Estrangeira e em litígios complexos envolvendo disputas patrimoniais. Além da advocacia, sou professor, escritor e palestrante, fluente em inglês e […]
Dr. Caio de Souza Galvão
Sou advogado, sócio-fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduado em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes. Iniciei minha trajetória no TJDFT, atuando no 1º Juizado Cível, Criminal e de Violência Doméstica, além de exercer funções como conciliador. Passei pelo TST, TCU e Procuradoria-Geral do Banco Central, onde […]












