
Publicado em: 26/01/2024
Atualizado em:
Usurpação de função pública é o crime cometido por quem exerce indevidamente atribuições próprias de cargo público, sem estar legalmente investido. Previsto no art. 328 do Código Penal, o delito prevê detenção e multa e protege a regularidade da administração pública.
A acusação de usurpação de função pública costuma gerar insegurança e impacto imediato na reputação do investigado. Trata-se de crime contra a administração pública que exige análise técnica cuidadosa desde os primeiros atos do procedimento.
Neste artigo, você entenderá como o crime se caracteriza, quando se consuma, quais situações podem gerar confusão com outros delitos e como a atuação estratégica da defesa pode influenciar o rumo do caso.
Em quais situações a usurpação de função pública costuma ser investigada?
A investigação por usurpação de função pública geralmente surge quando um particular atua em ambiente estatal e pratica condutas que aparentam ser exclusivas de servidor ou autoridade. A linha divisória nem sempre é clara.
Situações que costumam gerar questionamentos
- Assinatura de documentos institucionais: quando o particular subscreve relatórios, notificações ou comunicações com aparência oficial;
- Condução de reuniões ou procedimentos internos: especialmente quando há percepção de exercício de autoridade decisória;
- Fiscalização ou orientação técnica externa: em contratos administrativos ou convênios públicos;
- Emissão de ordens ou determinações a terceiros: ainda que decorrentes de delegação informal.
Nem toda atuação junto ao poder público configura crime. É necessário que haja ato privativo de função pública e intenção consciente de assumir atribuição reservada a agente investido, conforme entendimento do STJ sobre a exigência de dolo específico.
Quais são os elementos que caracterizam a usurpação?
Para compreender quando há, de fato, usurpação de função pública, é importante observar os elementos jurídicos exigidos pela lei.
Requisitos jurídicos para configuração do crime
- Exercício indevido de função pública: o agente pratica atos privativos de servidor ou autoridade, sem possuir investidura legal;
- Conduta ativa e concreta: não basta alegar ser servidor, é necessário executar atos típicos da função;
- Ausência de autorização legal: não há nomeação, delegação ou designação válida que legitime a atuação;
- Consumação independente de resultado: o crime se configura ainda que não haja prejuízo ou vantagem econômica.
Esses requisitos evidenciam que a proteção recai sobre a função estatal. A análise deve ser técnica, art. 328 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940), para evitar interpretações equivocadas sobre o exercício de autoridade.
Quando pode haver agravamento ou concurso com outros crimes?
Em determinadas situações, a usurpação pode estar associada a outras infrações penais, o que altera significativamente o enquadramento jurídico.
Situações que podem agravar a responsabilização penal
- Vantagem indevida obtida: se o agente recebe valores ou benefícios, pode haver enquadramento também por estelionato;
- Exigência de vantagem mediante ameaça: a depender do caso, pode surgir imputação por concussão ou extorsão;
- Prejuízo concreto a terceiros: danos patrimoniais podem gerar responsabilização adicional;
- Uso de documento falso: se houver falsificação para simular autoridade, outro crime poderá ser imputado.
Nesses cenários, a usurpação pode funcionar como meio para prática de delito mais grave, exigindo estratégia defensiva ajustada à complexidade do caso.
Usurpação de função pública x abuso de autoridade: qual a diferença?
É comum confundir usurpação com abuso de autoridade. Contudo, são situações juridicamente distintas.
Principais diferenças entre usurpação e abuso de autoridade
| Aspecto | Usurpação de função pública | Abuso de autoridade |
| Quem pratica | Particular sem investidura | Autoridade investida |
| Natureza da conduta | Exercício indevido da função | Excesso ou desvio no exercício |
| Fundamento legal | Art. 328 do Código Penal | Lei nº 13.869/2019 |
| Proteção jurídica | Regularidade da função pública | Direitos e garantias individuais |
Enquanto a usurpação envolve quem não tem legitimidade para agir, o abuso pressupõe agente investido que extrapola seus limites. A distinção está prevista na Lei nº 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade), que tipifica crimes cometidos por agentes públicos no exercício da função.
Como ocorre a consumação do crime?
A consumação ocorre no momento em que o agente pratica ato típico da função pública, ainda que isoladamente. Não se exige habitualidade nem obtenção de vantagem.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento consolidado no sentido de que a configuração do crime exige a prática de ato privativo de função pública com dolo específico, não sendo suficiente a mera aparência de autoridade.
Assim, a análise probatória é essencial. A defesa deve verificar se houve, de fato, exercício concreto de função pública ou mera simulação sem prática de ato típico.
Como a defesa técnica pode influenciar o caso?
A atuação de um advogado criminalista é determinante desde a fase investigatória. Em crimes contra a administração pública, a estratégia deve considerar tipicidade, dolo e a análise técnica das provas produzidas, evitando enquadramentos indevidos ou interpretações ampliadas do tipo penal.
Pontos estratégicos da defesa em casos de usurpação de função pública
- Análise da tipicidade: verificar se o ato praticado é realmente privativo de função pública;
- Exame do elemento subjetivo: avaliar se houve intenção consciente de usurpar;
- Revisão das provas documentais e testemunhais: identificar fragilidades na acusação;
- Estratégia processual adequada: definir linha defensiva compatível com os fatos apurados.
Muitas acusações decorrem de interpretações ampliadas da norma penal. A leitura técnica, à luz dos precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF), pode evidenciar atipicidade e resguardar direitos constitucionais do investigado. Quando há reflexos administrativos, como impedimento em concurso público, pode ser necessária a atuação de um advogado de mandado de segurança em concurso público diante de violação de direito líquido e certo.
Atuação de especialista ajuda em investigação arquivada preservando carreira de profissional terceirizado
Marcos, 41 anos, gestor administrativo de empresa terceirizada que atuava junto a um órgão municipal, passou a ser investigado por suposta usurpação de função pública após assinar relatórios técnicos por delegação contratual. O receio era imediato: sua reputação e os contratos da empresa estavam em risco.
A análise realizada pelo escritório Galvão & Silva Advocacia demonstrou que sua atuação estava formalmente prevista em contrato e não envolvia atos privativos de servidor público. A estratégia concentrou-se na delimitação técnica das atribuições exercidas e na ausência de dolo específico, elemento essencial para a configuração do crime.
Com a demonstração documental e jurídica adequada, o procedimento foi arquivado, preservando sua trajetória profissional e afastando uma imputação que poderia comprometer anos de construção de credibilidade no setor público.
O que é usurpação de função pública?
Usurpação de função pública ocorre quando alguém, sem nomeação ou autorização legal, pratica um ato reservado a servidor ou autoridade pública. Não basta aparentar ocupar o cargo: é preciso exercer concretamente alguma atribuição da função.
Qual é a pena para usurpação de função pública?
Na forma simples, a pena é de detenção de três meses a dois anos, além de multa. Quando a pessoa obtém alguma vantagem com a conduta, a punição é mais grave e pode chegar a cinco anos de reclusão, além da multa.
Quais são exemplos de usurpação de função pública?
Pode haver investigação quando alguém realiza fiscalização, emite ordens, assina documentos oficiais ou conduz atos reservados a agentes públicos. Cada caso deve ser analisado com cuidado, pois nem toda colaboração com o poder público configura crime.
Quando o crime de usurpação de função pública se consuma?
O crime pode se consumar quando a pessoa pratica um ato próprio de uma função pública sem ter legitimidade para isso. Não é necessário repetir a conduta nem causar prejuízo. Ainda assim, devem ser comprovados o ato funcional e a intenção do agente.
Qual a diferença entre usurpação de função pública e abuso de autoridade?
Na usurpação, a pessoa não possui autorização para exercer a função pública. No abuso de autoridade, o agente ocupa legitimamente o cargo, mas utiliza seus poderes de forma ilegal ou além dos limites permitidos pela lei.
Como o escritório Galvão & Silva Advocacia pode te ajudar em crime de Usurpação de função pública?
A atuação em crimes contra a administração pública exige domínio técnico e leitura estratégica da legislação penal. O escritório Galvão & Silva Advocacia atua com rigor na análise de provas e na construção de teses defensivas consistentes.
Nosso atendimento é personalizado, com acompanhamento integral do procedimento, desde a fase investigatória até eventual ação penal. Cada caso é avaliado de forma individual, considerando seus aspectos fáticos e jurídicos.
Se você busca orientação segura sobre usurpação de função pública, entre em contato com advogados especialistas para conduzir sua defesa com técnica e responsabilidade.
Dr. Caio de Souza Galvão
Sou advogado, sócio-fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduado em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes. Iniciei minha trajetória no TJDFT, atuando no 1º Juizado Cível, Criminal e de Violência Doméstica, além de exercer funções como conciliador. Passei pelo TST, TCU e Procuradoria-Geral do Banco Central, onde […]
Dr. Daniel Ângelo Luiz da Silva
Sou advogado, sócio fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Processus e inscrito na OAB/DF nº 54.608. Atuo há mais de uma década em Direito Civil, Empresarial, Inventário, Homologação de Sentença Estrangeira e em litígios complexos envolvendo disputas patrimoniais. Além da advocacia, sou professor, escritor e palestrante, fluente em inglês e espanhol. […]












