
Publicado em: 13/09/2023
Atualizado em:
O afastamento de servidor público é a interrupção temporária das atividades do cargo, autorizada por lei ou pela administração pública.
Ele pode ocorrer por diversos motivos, como saúde, capacitação ou exercício de mandato. Servidores federais seguem principalmente a Lei 8.112/90, enquanto servidores estaduais e municipais são regidos por estatutos próprios.
Qual a diferença entre licença e afastamento do servidor público?
Licença e afastamento são formas de interrupção temporária das atividades do servidor. A diferença está na origem da decisão e na finalidade do afastamento.
| Critério | Licença | Afastamento |
| Origem | Solicitação do servidor | Determinação administrativa |
| Finalidade | Motivos pessoais ou saúde | Interesse do serviço público |
| Exemplo | Licença médica ou capacitação | Missão oficial ou mandato |
Licença
A licença ocorre quando o próprio servidor solicita autorização para se afastar temporariamente das funções. Esse pedido pode ocorrer por motivos pessoais, saúde ou capacitação profissional.
Exemplos comuns incluem licença-maternidade, licença-paternidade, licença para tratamento de saúde ou licença para estudos.
Afastamento
O afastamento normalmente ocorre por decisão da administração pública ou por necessidade do serviço. Pode ser aplicado em situações administrativas ou institucionais.
Entre os exemplos estão afastamento para missão oficial, exercício de mandato eletivo ou afastamento disciplinar durante um processo administrativo.
O que diz a lei sobre licença e afastamento do servidor público?
A Lei 8.112/90 é o principal marco legal que regula licenças e afastamentos de servidores públicos federais. Os artigos 81 a 116 tratam diretamente desses institutos e estabelecem regras sobre duração, direitos e condições para concessão.
Servidores estaduais e municipais seguem estatutos próprios, mas muitas dessas legislações utilizam a Lei 8.112/90 como referência normativa. Recentemente, o Decreto nº 12.374 de 2025 trouxe atualizações importantes relacionadas ao controle administrativo e acompanhamento de servidores afastados.
Motivos para solicitar licença ou afastamento do servidor público
Diversas situações podem justificar o afastamento do servidor público. Esses motivos variam conforme a legislação aplicável e o regime jurídico do cargo.
Tipos de licença remunerada para servidor público
Entre os principais tipos de licença previstos na legislação estão:
- Licença-maternidade: duração média de 120 dias, podendo ser ampliada em alguns regimes;
- Licença-paternidade: normalmente entre 5 e 20 dias, dependendo do regime do servidor;
- Licença para tratamento de saúde: concedida após inspeção médica, pode chegar a 24 meses consecutivos;
- Licença para capacitação ou estudos: geralmente concedida após período mínimo de serviço.
A licença para tratamento de saúde depende de avaliação por junta médica oficial. Durante o tratamento, o servidor possui estabilidade temporária e não pode ser demitido.
Também pode existir licença para acompanhar cônjuge, concedida quando o parceiro é transferido para outra localidade.
Motivos comuns para afastamento de servidor federal e estadual
O afastamento também pode ocorrer em situações institucionais, como:
- Afastamento para missão oficial ou representação institucional;
- Afastamento para atividade política ou mandato eletivo;
- Afastamento para estudos ou pesquisa acadêmica.
Quando o servidor exerce mandato eletivo, o período costuma contar como tempo de serviço para aposentadoria. Em casos de afastamento acadêmico, geralmente é exigida autorização prévia da chefia e compromisso de permanência no cargo após o retorno.
Como funciona o afastamento do servidor público?
O afastamento segue procedimentos administrativos específicos definidos na legislação aplicável. Em geral, o processo envolve solicitação formal, análise administrativa e decisão da autoridade competente.
Como solicitar licença ou afastamento do funcionário público?
O pedido de licença ou afastamento normalmente segue um procedimento administrativo padrão dentro do órgão público. De forma geral, o processo ocorre nas seguintes etapas:
- Apresentar requerimento formal: o servidor deve protocolar um pedido junto ao setor de recursos humanos ou à chefia imediata, indicando o motivo do afastamento e o período pretendido;
- Anexar documentos comprobatórios: é necessário incluir documentos que justifiquem o pedido, como atestados médicos, documentos institucionais ou comprovantes de matrícula em cursos ou atividades acadêmicas;
- Aguardar a análise administrativa: o órgão público avalia o pedido e pode solicitar documentos adicionais, manifestação da chefia ou avaliação por junta médica oficial, dependendo do tipo de licença solicitada;
- Receber a decisão formal da administração: após a análise, a autoridade competente aprova ou nega o pedido. O prazo de resposta costuma variar entre 15 e 60 dias, conforme a complexidade do caso e as normas do órgão.
É recomendável manter cópias de todos os documentos entregues durante o processo. Além disso, o servidor não deve se afastar antes de receber autorização formal, pois a ausência sem aprovação pode ser interpretada como falta injustificada ou até caracterizar abandono de cargo.
Como funciona a aprovação do afastamento pelo órgão público?
Após análise administrativa, o órgão público decide pela aprovação ou não do pedido. Caso o afastamento seja negado, a decisão deve ser fundamentada por escrito.
O servidor pode solicitar explicações detalhadas e apresentar recurso administrativo à autoridade superior. Essa possibilidade garante o direito de revisão da decisão.
O que muda com o Decreto 12.374 de 2025 para servidores afastados?
O decreto trouxe ajustes administrativos no acompanhamento de servidores afastados. Entre as mudanças estão novas regras de controle funcional e atualização de dados cadastrais.
Dependendo do caso, o período de afastamento pode ou não contar para aquisição de férias. O servidor também deve comunicar mudanças de endereço e atender convocações administrativas quando necessário.
Após o afastamento ou licença
Ao final do período autorizado, o servidor deve retornar às atividades conforme as condições estabelecidas na concessão da licença ou afastamento.
Em alguns casos, pode ser necessário apresentar documentos comprobatórios ou realizar nova avaliação médica antes da retomada das funções.
Quando o servidor público é afastado, recebe salário?
A remuneração durante o afastamento depende do tipo de licença concedida e da legislação aplicável ao cargo.
Afastamento remunerado de agente público
Alguns afastamentos mantêm o pagamento integral dos vencimentos. Isso ocorre principalmente em licenças médicas, licença-maternidade ou afastamentos institucionais autorizados.
Também pode haver remuneração em afastamentos para capacitação profissional ou participação em atividades oficiais representando o órgão público.
Afastamento sem remuneração
Existem casos em que o servidor se afasta sem receber salário. Isso ocorre, por exemplo, na licença para tratar de interesse particular ou na licença para acompanhar cônjuge.
Nessas situações, o servidor mantém o vínculo com o cargo, mas deixa de receber vencimentos durante o período afastado.
Direitos parentais
Licenças relacionadas à maternidade, paternidade e adoção garantem ao servidor o direito de cuidar do recém-nascido ou da criança adotada sem prejuízo de seus direitos funcionais.
Acesso a recursos e assistência
Servidores afastados por motivo de saúde possuem direito ao acompanhamento médico e aos recursos necessários para recuperação, conforme previsto nas normas administrativas.
Cumprimento das condições
O servidor deve respeitar as condições estabelecidas no ato de concessão do afastamento. O descumprimento dessas regras pode resultar em revisão da licença.
Tempo de afastamento de um servidor público e seus deveres
Mesmo afastado, o servidor permanece vinculado à administração pública e deve cumprir obrigações funcionais. O descumprimento dessas regras pode gerar apuração administrativa, respeitando o contraditório e a ampla defesa.
Cumprir os termos da licença
O servidor deve respeitar as condições definidas no ato que concedeu a licença ou afastamento;
Manter a confidencialidade
Mesmo fora das atividades, permanece a obrigação de preservar informações sigilosas do órgão público;
Não envolvimento em atividades incompatíveis
Durante o afastamento, o servidor não pode exercer atividades incompatíveis com suas funções públicas;
Manter atualizados seus dados pessoais
O servidor deve manter endereço e contatos atualizados para garantir a comunicação com o órgão público.
Cumprir esses deveres é essencial para garantir que o afastamento ocorra de forma regular e dentro das normas da administração pública. Mesmo durante a licença, o servidor permanece sujeito às regras do serviço público e às responsabilidades inerentes ao cargo.
Fale com um advogado especialista em afastamento de servidor público
Questões envolvendo licenças e afastamentos podem gerar dúvidas sobre direitos, prazos e procedimentos administrativos. Cada caso deve ser analisado conforme a legislação aplicável ao cargo público.
O escritório Galvão & Silva Advocacia oferece orientação jurídica especializada para servidores que enfrentam dúvidas ou conflitos relacionados a afastamentos, licenças e direitos funcionais. A atuação jurídica adequada pode ajudar a proteger direitos e evitar prejuízos administrativos.
Dr. Caio de Souza Galvão
Sou advogado, sócio-fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduado em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes. Iniciei minha trajetória no TJDFT, atuando no 1º Juizado Cível, Criminal e de Violência Doméstica, além de exercer funções como conciliador. Passei pelo TST, TCU e Procuradoria-Geral do Banco Central, onde […]
Dr. Daniel Ângelo Luiz da Silva
Sou advogado, sócio fundador do escritório Galvão & Silva Advocacia, formado pela Universidade Processus e inscrito na OAB/DF nº 54.608. Atuo há mais de uma década em Direito Civil, Empresarial, Inventário, Homologação de Sentença Estrangeira e em litígios complexos envolvendo disputas patrimoniais. Além da advocacia, sou professor, escritor e palestrante, fluente em inglês e espanhol. […]












